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Concurso Público nº 01/2015

Concurso Público do CRMV-MG

Conseleite mineiro

30/07/2018

União entre produtores e indústria: Sistema Faemg e Silemg contratam especialistas para viabilizar o Conseleite mineiro



O pecuarista de leite Marco Antônio Costa, de Campo Belo, é um dos milhares de produtores do estado prestes a sair de uma situação incômoda: a falta de um valor-referência para orientá-lo na negociação do leite. O problema será, finalmente, resolvido com a criação do Conseleite (Conselho Paritário entre Produtores de Leite e Indústrias de Laticínios), após 15 anos de negociações da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da FAEMG. “O mecanismo será útil para todos os elos da cadeia”, diz Marco Antônio.

A falta do preço de referência é a grande questão do mercado de laticínios no país. Outros produtos – como milho, soja ou café – podem ser estocados, se o preço estiver ruim. O leite, por ser perecível, não oferece essa possibilidade.

Atualmente, o acordo para acerto de preços entre produtores e indústrias é feito, mensalmente, com base em informações insuficientes de mercado. “Isso resulta em condutas oportunistas e conflitos”, afirma o professor José Roberto Canziani, da UFPR (Universidade Federal do Paraná), um dos idealizadores do Sistema Conseleite.

“A missão do Conseleite é publicar, mensalmente, um valor que represente a capacidade de pagamento das indústrias pela matéria-prima. Assim, o setor se torna mais transparente e as relações de compra e venda, mais justas” - José Roberto Canziani, professor da UFPR

Origem paranaense

O conselho está sendo estruturado sob a coordenação dele e da professora Vânia di Addario Guimarães, “pais” da iniciativa, implantada, pela primeira vez, no Paraná, em 2002. Na versão mineira, a equipe da UFPR terá o apoio do professor Fernando Curi Peres, especialista no desenvolvimento sustentável de capital humano e social de grupos de pessoas e instituições.

Confiança e civismo

“Os primeiros resultados começarão a ser publicados a partir do consentimento das partes. É preciso confiança, civismo e disposição de trabalho em grupo para resolver os problemas comuns. E isto pode ser conseguido com a livre adesão, a transparência e as discussões paritárias”, orienta Canziani.

Reuniões

O primeiro passo para criar o Conseleite foi constituir uma Câmara Técnica Paritária entre produtores e indústrias, composta por seis representantes de cada parte. Nos próximos meses, eles vão se reunir sob a coordenação da UFPR para definir sistemas referenciais de produção de leite no estado e seus custos de produção da matéria-prima.

Metodologia

Os valores-referência serão obtidos com base em informações de comercialização, faturamento, volume de vendas, cálculos do custo de produção do leite e sistemas de criação repassadas pelas indústrias e pelos produtores à Universidade. A partir daí, são feitos cálculos matemáticos e divulgadas médias dos queijos, leite UHT, manteiga, doce de leite, requeijão, creme de leite e outros derivados.


“O produtor passará a entender porque os preços caem ou sobem. Mas o Conseleite vai além disso. Sua existência contribuirá para a solução de problemas transversais da cadeia.”

Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite

 

“A criação do Conseleite-MG é um antigo anseio do produtor. O preço-referência possibilitará estratégias de planejamento financeiro do produtor e facilitará os contratos com as cooperativas e a indústria.”

Eduardo Pena, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da FAEMG

 

“Estou muito confiante com o Conseleite, que pode diminuir a distância entre o produtor e a indústria. Não queremos prejuízo para as indústrias. Queremos apenas receber um preço justo.”

Mônica Mascarenhas, pecuarista de leite de Jequitibá

 

“O Conseleite equilibrará o mercado. O atrito existe por uma desconfiança mútua entre produtores e indústrias. O sistema deverá estabelecer um relacionamento profissional.”

Adauto Alves Ribas, pecuarista de leite de Curvelo

 

“O conselho não é apenas uma alternativa para resolver a política do leite. É conhecimento, inovação e gestão. É trabalho que vai fazer com que o produtor se organize melhor para continuar na pecuária leiteira.”

Rafael Ramos Tomás, pecuarista de Monte Carmelo.


Fonte: Revista Sistema FAEMG/SENAR

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